Posterous theme by Cory Watilo

Virando a página e o lar. "Lar"?

Aconteceu tanta, tanta coisa que eu mal tinha me dado conta de que o último post publicado no meu mais querido blog pessoal (este; o único, no caso) completou cinco meses. Se eu dissesse que não vinha escrevendo neste meio tempo, mentiria. Mas os processos foram tão profundos que talvez não fosse o caso de expô-los antes que a alma acomodasse. E, então, um pequeno "ano novo" começa agora (bem depois do Carnaval) cantando:

- Uma ruptura brusca e totalmente inesperada.

- A ausência de tudo o que havia antes, à exceção da única coisa que realmente tem valor: si mesmo.

- A descoberta do que mais tem valor.

- O deixar-ir e o deixar-vir.

- A persistência do que é bom; a persistência no que é bom.

- A inerência da autoentrega.

E um novo tema: lar.

"Definição definitiva" de lar não há. Cada um sabe o que é lar para si. Até a adolescência, lar era a casa em que eu morava. Mas as experiências foram se abrindo em leque, interminável, e descobri que não é suficiente morar num lugar para que ele seja o lar. Foi aí que eu fiquei sem um. E desde então eu tenho tentado descobrir o que é. 

Vou confessar a vocês que minha cabeça já passeou por todo tipo de definição possível, criando pérolas como "lar é onde seu celular não está em roaming" e até o trocadilho em inglês "home is relative". Trocadilho porque "relative" em inglês pode ser tanto "parente" quanto "relativo", dando à frase dupla interpretação: "lar é família" ou "lar é relativo".

Pode ser que eu dê voltas e voltas (dentro da cabeça, da alma e do mundo), e chegue à conclusão de que lar, para mim, é... o Parque Ibirapuera. Ou então que é um quarto de hotel. Ou onde meu cachorro está. Vai saber? Taí um processo que não tenho muita pressa de encerrar. Não é nada sofrido tanto quanto intrigante.

Alguém aí tem resposta?

Eu primeiro + eu primeiro = @%ˆ#&*!

Um:

O trânsito das 19h30 não estava dos piores, mas eu precisava chegar o mais rápido possível, de qualquer forma. A Faria Lima estava tranquila, até que me apareceu um daqueles folgados que acham que é só dar seta pra conquistar o direito de mudar de faixa. Sabe aquelas faixas exclusivas pra conversão? Então. O carro deu seta e foi saindo devagarzinho, se enfiando na minha frente. Eu buzinei, lógico. Que folgado! Paulistano no trânsito é muito folgado, é impressionante. Ele se enfiou na minha frente e, ainda por cima, andando devagar. Pô, eu fiquei tentando achar um jeito de sair de trás dele, só que ele ia junto. "Ele" vírgula, é óbvio que era mulher, né? Fui pra pista da esquerda, ela foi também. Até que ela voltou pra pista da direita e eu passei, e buzinei de novo porque merecia. Como ela buzinou de volta, eu meti o braço pra fora e mostrei o dedo do meio e xinguei e falei um monte de mˆ#%@ mesmo -- pena que ela não ouviu! Fui fazendo meu caminho no meio daquele monte de domingueiros, eu, minha mulher e nosso cachorrinho naquele calor do inferno sem ar condicionado, com os vidros abaixados. Uns quilômetros pra frente e a louca não taca a mão na buzina mostrando o dedo do meio? Além de braço curto, surtada. E covarde. Porque ela fez isso e logo sumiu, virou à direita. Típico. Encarar ninguém quer, né?

Um:

O bom de sair às 19h30 naquela região é que o trânsito já não está mais aquele caos das 17h, 18h. Como eu ia deixar uma amiga na Vila, voltei pela Faria Lima. Como eu estava meio com pressa, vi aquela faixa da esquerda dando sopa e me enfiei. Depois é que eu fui perceber que ela tinha um trecho exclusivo pra conversão. Dei seta -- acho um horror quem se enfia pelo trânsito sem avisar, pˆ%# egoísmo! -- e fui indo devagarzinho pra faixa da direita. Afinal, em São Paulo, se você não "for indo" mesmo que de leve, ninguém vai deixar você passar. Eu sinceramente não entendi porque o mané do carro de trás buzinou pra mim. Custa ajudar alguém que ficou preso na faixa de conversão? Será que isso nunca aconteceu com ele, não? Eu, hein! Só que eu fiquei BEM indignada e percebi que ele estava zanzando com o carro feito um paulistano paranoico atrás de mim. "Ah, tá com pressa, é? Conte comigo!", eu pensei. Quando ele mudou pra faixa da esquerda, eu mudei também! Depois fui pra da direita e ele passou. Mas eu sinceramente nem achei que ele tinha se ligado que eu mudei pra esquerda de propósito, foi tão natural. Só que a buzinada e o dedo que ele me mostrou provam que ele percebeu. Andei mais uns quilômetros e o vi de novo, bem na hora que eu ia fazer minha curva pra direita. Não tive dúvida! Enfiei a mão na buzina, abaixei todo o meu vidro e mostrei o dedo. Ainda bem que ele não tinha uma arma. Sempre me arrependo depois.

Mesma história, três manchetes e você já sabe quem é quem

O novo texto do Código Florestal é um absurdo. Esta sou eu.

Manifestante é atingido por pistola de choque no Senado. Este é O Globo.

Protesto de estudantes contra Código Florestal acaba em agressão. Esta é a Folha.

Estudantes provocam confusão no Senado. Este é o Estadão.

Há dúvidas sobre qual dos três veículos é a favor da aprovação do texo que trará benefícios aos ruralistas?

Aqui, para mais. Faltam 208 dias para a Rio+20.

Questão de propósito, questão de estratégia

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A voz da estudante, que se diz de Jornalismo, comemora enquanto gravando o vídeo publicado no YouTube: "O Crusp sitiado como nos tempos áááureos da ditadura!". Em seguida, a voz adolescente de dona não identificada diz aos policiais que fazem uma barreira em frente à moradia: "Eu sou mulher! Eu estou sendo violentada!". Oi?

  1. Viúvas? Da ditadura. Pode isso? Poder, pode, mas o tipo de demanda social hoje é outro, o tipo de repressão é outro. A falta de entendimento e a consequente não utilização de uma estratégia condizente vai levar exatamente a... lugar nenhum. Pior: os rebeldes da USP estão, eles mesmos, se fazendo ser motivo de chacota ao redor do país. Parecem presos numa espécie de limbo entre o que têm capacidade de vir a ser e as amarras de um modelo envelhecido.
  2. Que tipo de causa é essa? Se querem que esta luta entre pra história como tantas outras da juventude universitária brasileira, que pelo menos tenham a decência de tirar os olhos do próprio umbigo. A função primária da universidade pública é dar retorno para a sociedade, seja pelas vias formais, seja em consequência do espaço para seres pensantes, de vanguarda, debaterem rumos novos para o coletivo.
  3. Quero crer que a mensagem não foi passada da forma mais eficaz e, sim, o mundo todo ficou achando que este grupo só quer fumar maconha. Que pena para eles, cujos discursos foram impressionantemente desarticulados e vazios. Exemplo: "Queremos uma universidade democrática!". "Universidade democrática" é um conceito tão amplo quanto pedir um "País justo". Quer dizer então que basta tirar policiais do campus para que a Universidade (a academia, os debates, a produção científica, etc) se torne democrática? E o reitor? E o governo? É claro que os estudantes não são burros o suficiente para pensar dessa forma simplista, mas talvez não tenham tido inteligência suficiente para exprimir mais do que isso.

Eles têm o direito de não querer a polícia no campus? É claro que sim, assim como

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"Fantasy Files" nacional, por Cuiabá Arsenal

Praticamente todos os fãs de NFL (sabendo exatamente ao que estavam assistindo ou não) conhecem os Fantasy Files, vídeos criados pela Reebok em parceria com a NFL.com com a intenção de viralizar e provocar a dúvida: "Uau! Isso é real?".

O projeto é de 2008 e deu muito certo. Os jogadores da NFL eram filmados (e editados) exibindo "habilidades impossíveis" como parte do esforço para serem escolhidos pelos fãs nas ligas de fantasy.

Tudo isso é pra dizer que o Cuiabá Arsenal, uma das equipes brasileiras de futebol americano criou recentemente a sua própria versão dos "Fantasy Files". Se você ainda não viu, cá está o vídeo:

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Memorial de Dan Wheldon foi um alento

Post publicado originalmente no Blog da Vanessa Ruiz

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Ontem, depois da jornada de cobertura da morte de Marco Simoncelli, confesso que estava bastante sensível à coisa toda. Quando aconteceu o acidente e vi a imagem do cara mais louco, mais irreverente da MotoGP jogado no chão sem capacete, gelei.

Depois da morte de Gustavo Sondermann, eu quis nunca mais sentir aquele aperto no meio do peito que dá quando, lá no fundo, você já sabe que já foi, que não tem volta mesmo e sua função é divulgar a notícia. Não tem abraço na família, não tem pêsames, não tem tempo de sentir a sua própria angústia. Sua função é divulgar a notícia.

Quando ouvi: "Dan Wheldon passed away", senti tudo aquilo de novo. Um pˆ#%@ aperto no peito. E digitei a frase em português e dei enter no Twitter e cumpri minha função de jornalista naquela hora. No caso de Simoncelli, o aperto foi imediato, veio junto com a cena. Não tinha como sobreviver àquilo.

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A lógica da internet é ignorar bobagens

Algumas pessoas que acompanham, gostam de e se preocupam com automobilismo estão um tanto rebeldes com um texto publicado ontem por um jornalista com blog no R7, cujo título é "A lógica do automobilismo é a morte". Não sei se conheço o autor porque sou ruim de nome, mas logo chegou aos meus ouvidos uma descrição da "função" que ele exerce com este blog dentro do portal: pegar carona em assuntos polêmicos para "contar cliques", ainda que não entenda lhufas sobre o que está falando. Neste caso, ele engatou uma sexta na morte de Dan Wheldon para despejar estranhices na rede.

Confiando no amigo que me fez esse alerta, optei por ignorar a série esdrúxula de argumentos. Sugiro aos incomodados que façam o mesmo, se for verdade que o colega aí se alimenta de sangue -- parece que sim. Eu não daria meus cliques de presente de novo.

Visões de "estranhamento" e "desenvolvimento" (via @brumelianebrum)

No início deste ano, Sheyla Juruna viajou pela Europa para levar sua voz contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Xingu. Em agosto, durante uma entrevista em Altamira, no Pará, eu perguntei a ela o que tinha achado do que viu. Ao fazer a pergunta, imaginava escutar sobre o assombro de uma indígena criada na Amazônia diante da arquitetura e da arte que povoam as ruas e os museus das principais capitais europeias. Afinal, deslumbramento é a reação habitual de quem viaja a países como a França. Ao me responder, uma sombra passou pelo rosto de Sheyla, uma bela mulher de 37 anos com os traços bem marcados de sua etnia e olhos e cabelos bem pretos. A sombra passou e não foi embora. Para meu espanto, Sheyla assim respondeu à minha pergunta:

          - Eu estranhei. Fiquei triste e oprimida. Não consegui enxergar beleza. É um mundo de concreto. Terrível. Só conseguia pensar no que havia antes que foi destruído para que aquilo tudo pudesse existir. Só conseguia pensar nos povos que viviam lá antes e viraram História.

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É sobre outra coisa

Sempre que acontece algo desse tipo*, eu me pego pensando, lendo e pensando sobre o que escrever. Há uns dez anos, eu despejaria as palavras muito mais espontaneamente do que agora. Minha mudança de perfil em casos densos como este não me incomoda -- é opção, não prisão. Quanto mais leitores vão chegando, quanto mais o tempo vai passando, mais você compreende que as palavras têm um efeito tão, tão significativo que não é adequado ignorar a reflexão antes de tornar público o que se passa na sua cabeça.

Ocorre que nem sempre a motivação para despejar palavras é toda pura e nobre, porque palavras representam poder e, no momento em que alguém de fato descobre isso, descobre também dois caminhos principais diante de si: o da empáfia, de enxergar a si mesmo como o único capaz de transformar, se vendo como "o paladino da Justiça e da Verdade"; e o da humildade (uma palavra muito mal interpretada pelas nossas bandas, por sinal) que, colocando de um jeito simples, é se enxergar como um instrumento, e não como o indispensável centro de toda e qualquer ação transformadora.

Escrever é um ato que pode começar simplesmente com uma vontade de colocar algo para fora. Antes ou depois, pode vir o desejo de que aquilo que está sendo colocado para fora seja admirável mais do que apenas palatável. É o processo de definição de "o quê e como escrever". Particularmente, não consigo encerrá-lo sem o "por quê" e o "para quê", principalmente o último.

"Preciso mesmo escrever sobre isso?"

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