Virando a página e o lar. "Lar"?
Aconteceu tanta, tanta coisa que eu mal tinha me dado conta de que o último post publicado no meu mais querido blog pessoal (este; o único, no caso) completou cinco meses. Se eu dissesse que não vinha escrevendo neste meio tempo, mentiria. Mas os processos foram tão profundos que talvez não fosse o caso de expô-los antes que a alma acomodasse. E, então, um pequeno "ano novo" começa agora (bem depois do Carnaval) cantando:
- Uma ruptura brusca e totalmente inesperada.
- A ausência de tudo o que havia antes, à exceção da única coisa que realmente tem valor: si mesmo.
- A descoberta do que mais tem valor.
- O deixar-ir e o deixar-vir.
- A persistência do que é bom; a persistência no que é bom.
- A inerência da autoentrega.
E um novo tema: lar.
"Definição definitiva" de lar não há. Cada um sabe o que é lar para si. Até a adolescência, lar era a casa em que eu morava. Mas as experiências foram se abrindo em leque, interminável, e descobri que não é suficiente morar num lugar para que ele seja o lar. Foi aí que eu fiquei sem um. E desde então eu tenho tentado descobrir o que é.
Vou confessar a vocês que minha cabeça já passeou por todo tipo de definição possível, criando pérolas como "lar é onde seu celular não está em roaming" e até o trocadilho em inglês "home is relative". Trocadilho porque "relative" em inglês pode ser tanto "parente" quanto "relativo", dando à frase dupla interpretação: "lar é família" ou "lar é relativo".
Pode ser que eu dê voltas e voltas (dentro da cabeça, da alma e do mundo), e chegue à conclusão de que lar, para mim, é... o Parque Ibirapuera. Ou então que é um quarto de hotel. Ou onde meu cachorro está. Vai saber? Taí um processo que não tenho muita pressa de encerrar. Não é nada sofrido tanto quanto intrigante.
Alguém aí tem resposta?
